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Comunicação não-violenta nas eleições, como conversar sobre voto?

Como dialogar de forma saudável e respeitosa sobre os candidatos das eleições sem perder a amizade ou gerar desconfortos para as partes utilizando da comunicação não-violenta (CNV)?

A seguir, um guia de comunicação não-violenta compartilhado no whatsapp sob autoria ainda anônima.

Um Guia de Comunicação Não-violenta (CNV) em 10 Passos para as eleições

 

1. Antes de tudo, é preciso evitar uma posição de superioridade.

Somos todos cidadãos com histórias de vida e realidades diferentes. Mas todos queremos um país melhor. Acreditar que a pessoa com quem você está falando é como você é o primeiro passo para chegarem a um acordo.

2. Evite os apelidos depreciativos.

Chamar a outra pessoa de “Petralha”, “Bolsomínion”, “Coxinha” ou “Mortadela” só vai levantar defesas. A pessoa se sentirá ofendida e tentará defender seu ponto de vista ainda mais, apenas para revidar.

3. Não acuse o eleitor de fascista, racista e homofóbico.

Embora esses discursos permeiem as propostas DO CANDIDATO, não é isso que atrai diretamente OS ELEITORES.
Os eleitores de direita são atraídos pela identificação com a indignação do candidato com a corrupção. A raiva que o candidato demonstra nos discursos espelha a raiva do eleitor com a situação do país. Seu tio ou tia do whatsapp não é fascista, é um indignado. Seu tio quer uma mudança.

4. Comece a conversa empatizando com o eleitor e mostrando que vocês tem mais coisas em comum do que diferentes.

“Eu entendo que você esteja decepcionado com a política. Eu também fiquei. Dá muita raiva mesmo.”

5. Encadeie argumentos que mostrem que vocês tem o mesmo objetivo.

“Eu acho que nenhum de nós quer ser roubado. Ninguém escolheria de propósito alguém que achasse que fosse nos roubar. Acho que todos queremos saúde, segurança e educação.”

6. Assuma as falhas que já aconteceram. Mostre sempre que você também refletiu muito e não escolhe um candidato cegamente.

“Eu também tenho pensado muito que quero uma mudança. Realmente o PT já teve muitos envolvidos em corrupção. Mas muitos partidos tiveram. Outras instituições como Igreja, times de futebol, essas organizações feitas de pessoas também tem falhas. A política tem falhas também.
Eu também quero mudança, e depois de pensar muito acredito que o CANDIDADO A será melhor para o país que o CANDIDADO B devido a X, Y e Z”.

7. Pergunte o que ELE(A) acha. Isso é uma conversa, lembra? Não um discurso unidirecional.

Após ouvir, empatize. “Entendo. Eu também concordo com vários pontos teus. Por isso, pra não ficar pensando na pessoa certa ou partido certo que vai fazer essa mudança, eu resolvi pensar nas propostas. Por isso analisando as propostas do CANDIDADO A pra saúde, segurança e educação, escolhi votar nele. (É IMPORTANTE QUE VOCÊ CONHEÇA AS PROPOSTAS)

8. Se a pessoa se exaltar e apenas xingar o PARTIDO A e o candidato, faça uma reflexão. Cuidado para não cair na ironia. Na entrevista motivacional, isso costuma gerar ambivalência que pode resultar em mudança depois.

“Ah, entendi. Pra ti as propostas não são tãoooo importantes.”

Normalmente, a pessoa vai demonstrar ambivalência, dizendo algo como “Não, quer dizer, são sim, só não quero o CANDIDATO ou PARTIDO A…”

9. Mostre que vocês estão juntos e o debate não é um confronto.

“Bom, de qualquer jeito achei legal a gente conversar. Deu pra perceber que a gente quer muitas coisas parecidas. Eu acredito que esse projeto não vai ser bom só pra mim, mas pra ti também e pra todo o Brasil. Mas respeito tua opinião.”

10. Se a pessoa não mudar de ideia ao final da conversa, não jogue seu esforço fora dizendo “Eu desisto” ou xingando ela. Lembre dos tópicos 1 e 2.

A conversa pode não gerar resultado na hora. Mas pode deixar uma semente para reflexão. O objetivo é criar ambivalência. Uma mudança de paradigma não acontece na hora.

Adaptado de autor anônimo.

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